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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Caso Clínico

Acompanhamento nutricional do paciente hospitalizado

Disciplina: Nutrição Clínica 1  ·  Paciente: W.S.F — Cirrose hepática por HCV
Bianca Ferreira · Cellyne Da Silva · Maria Eduarda Trotta · Nathallya De Paula · Vitor Hugo Queiroz
Identificação do paciente
Iniciais W.S.F
Sexo Masculino
Idade 71 anos (19/07/1954)
Diagnóstico principal Cirrose hepática associada ao vírus da hepatite C (HCV), com histórico de hipertensão portal e varizes esofágicas
Local de internação Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) — Posto 08C Clínico
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Dados gerais do paciente

  • Escolaridade: Segundo Grau Completo
  • Ocupação / moradia: casa própria de 6 cômodos; mora sozinho; viúvo
  • Renda: maior que três salários mínimos
  • Atividade física: não pratica
  • Tabagismo: não possui
  • Etilismo: não possui
  • Hábitos de vida: não relatou hábitos de vida específicos
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Introdução

Cirrose hepática

Doença crônica caracterizada pela substituição progressiva do tecido hepático normal por tecido fibroso (cicatricial), alterando a arquitetura do fígado e comprometendo gradualmente suas funções.

Etiologia no paciente
  • Infecção crônica pelo vírus da hepatite C (HCV) — principal fator associado ao caso
  • Agressão contínua aos hepatócitos → ativação das células estreladas hepáticas → produção de matriz extracelular (colágeno)
  • Acúmulo de tecido fibroso → perda da organização do fígado e redução da capacidade funcional
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Introdução

Fisiopatologia & hipertensão portal
  • Lesão contínua dos hepatócitos → inflamação crônica e tentativa constante de regeneração
  • Formação de septos fibrosos que prejudicam o fluxo sanguíneo dentro do órgão
  • Aumento da resistência à passagem do sangue → hipertensão portal
  • O sangue busca caminhos alternativos → surgimento de varizes esofágicas e gastroesofágicas
  • No paciente: varizes esofágicas de pequeno calibre + gastropatia hipertensiva portal + histórico de hemorragia digestiva alta
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Introdução

Principais complicações da cirrose

Hipertensão portal

Aumento da pressão no sistema venoso portal → vasos colaterais e varizes esofágicas, com risco de ruptura e hemorragia.

Gastropatia hipertensiva portal

Alterações da mucosa gástrica que favorecem sangramentos. Presente e acentuada na endoscopia do paciente.

Ascite

Acúmulo de líquido na cavidade abdominal por redução da albumina. Ausente no momento da avaliação.

Encefalopatia hepática

Acúmulo de amônia com alterações neurológicas. Sem sinais — exame físico com ausência de flapping.

No paciente, a hemorragia digestiva alta manifestou-se por hematêmese e melena.
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Introdução

Tratamento clínico e nutricional
Conduta clínica
  • Controle das complicações da hipertensão portal e do sangramento digestivo
  • Endoscopia digestiva alta (EDA) — varizes de pequeno calibre sem sangramento ativo
  • Uso de ceftriaxona; manejo cuidadoso da anticoagulação
  • Acompanhamento multidisciplinar (hepatologia e cardiologia)
Conduta nutricional
  • Preservar/recuperar o estado nutricional e evitar perda de massa muscular
  • Evitar jejum prolongado; refeições fracionadas e ceia noturna
  • Aporte proteico adequado (papel do músculo no metabolismo da amônia)
  • Priorizar alimentos naturais; reduzir ultraprocessados
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Objetivos

Objetivo geral: realizar a avaliação, o planejamento e o acompanhamento nutricional do paciente, desenvolvendo uma conduta dietoterápica adequada que promova a recuperação, manutenção ou melhora da saúde e da qualidade de vida.
Objetivos específicos
  • Avaliar o estado nutricional por dados clínicos, antropométricos, bioquímicos e dietéticos
  • Identificar alterações, deficiências, excessos ou riscos nutricionais
  • Relacionar a condição de saúde aos hábitos alimentares
  • Elaborar conduta nutricional individualizada
  • Orientar quanto às mudanças alimentares, promovendo adesão
  • Acompanhar a evolução por reavaliação dos parâmetros
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01

Metodologia

Instrumentos e etapas da avaliação nutricional aplicados ao paciente.

  • Avaliação antropométrica
  • Exame físico nutricional
  • Sintomas gastrointestinais
  • Avaliação laboratorial
  • Inquérito dietético
  • Medicamentos em uso

Metodologia — Avaliação antropométrica

Balança digital, fita métrica inelástica e adipômetro. Aferições preferencialmente pelo lado esquerdo (acesso no braço direito). Estimativas por altura do joelho.

  • Peso, altura e IMC
  • % de perda de peso
  • Circunferências (braço, cintura, panturrilha)
  • Dobras cutâneas (tricipital e subescapular)
  • Estimativas: peso e altura do joelho — Chumlea et al. (1985)

Fórmulas utilizadas

IMC = peso / altura²
% PP = (peso usual − peso atual) / peso usual × 100
Estatura ♂ = [(0,98×CP)+(1,16×AJ)+(1,73×CB)+(0,37×PCSE)] − 81,69
AMBc = {[CB − (π×PCT÷10)]² ÷ 4π} − 10

SAMPAIO, L. R. et al., 2012 · ROSA et al., 2008
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Metodologia — Exame físico nutricional

Técnicas de inspeção, palpação e percussão, com explicação prévia ao paciente, garantindo conforto e assistência humanizada.

Sinais avaliados
  • Nível de consciência, face, cabelos, olhos, mucosas, língua e pele
  • Reservas: bola gordurosa de Bichat, clavícula, ombros, escápulas, quadríceps e panturrilha
  • Edema, sinal de cacifo, turgor e hidratação
  • Percussão abdominal (gases, sons timpânicos/maciços)
🩺
ROSA et al., 2008
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Metodologia — Sintomas gastrointestinais

Investigação detalhada de presença, intensidade, frequência e duração de cada sintoma e seu impacto sobre a alimentação — fatores que influenciam diretamente a ingestão, o estado nutricional e a evolução clínica.

Sintomas rastreados
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Constipação
  • Diarreia
  • Disfagia
  • Pirose
  • Flatulência
  • Melena
  • Hematêmese
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Metodologia — Avaliação laboratorial

Complementa o exame físico e monitora a gravidade da doença; sempre interpretada em conjunto com o quadro clínico.

Hemograma

Hemoglobina e hematócrito, leucócitos e plaquetas (trombocitopenia é achado precoce da hipertensão portal).

Bioquímica

Albumina, bilirrubinas, AST/ALT, FA/GGT, ureia/creatinina, eletrólitos, glicemia e perfil lipídico.

Marcadores da doença

TP/INR, PCR, amônia, cinética do ferro, vitaminas e zinco, alfa-fetoproteína.

Na cirrose, albumina reduzida reflete queda da síntese hepática — não deve ser usada isoladamente como marcador de desnutrição.
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Metodologia — Inquérito dietético

Recordatório de 24 horas (R24h)

Registro retrospectivo de todos os alimentos e bebidas consumidos nas 24 h anteriores, por entrevista conduzida por avaliador treinado.

Questionário de Frequência Alimentar (QFA)

Lista pré-definida de alimentos com a frequência habitual de consumo — caracteriza o padrão alimentar do paciente.

A aplicação foi feita por meio de entrevista pessoal, com participação ativa do paciente e da acompanhante.
ROSA et al., 2008
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Metodologia — Medicamentos em uso

Os dados sobre os medicamentos em uso foram obtidos por meio do prontuário do paciente.

A análise das interações fármaco-nutriente foi realizada consultando a literatura sobre a interação de cada fármaco com os nutrientes.

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02

Resultados e Discussão

História clínica do paciente

História patológica pregressa (HPP)

  • Cirrose hepática por HCV (Child A) — tratado com sofosbuvir + daclatasvir, com resposta virológica sustentada em 2017
  • Hemorragia digestiva alta em out/2017; novo quadro em jun/2025
  • Hipotireoidismo; fibrilação atrial em anticoagulação desde 2025
  • 27/06/2025: hematêmese + taquiarritmia → controle de FC + ligadura elástica de varizes
  • 21/07/2025: taquicardia supraventricular com instabilidade → cardioversão elétrica; início de carvedilol
  • Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (35%) — ecocardiograma jul/2025
História familiar: o paciente não relatou doenças familiares.
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História da doença atual (HDA)

  • Entrada na emergência em 09/06: desconforto abdominal leve pela manhã, evacuações com fezes enegrecidas (4 episódios) e hematêmese
  • Iniciados terlipressina + ceftriaxona; submetido a EDA no mesmo dia
  • EDA: variz de esôfago de pequeno calibre sem sangramento, hérnia de hiato por deslizamento e gastropatia hipertensiva portal acentuada
  • Laboratório: sem lesão hepática, função renal preservada, inflamatórios normais, com queda hematimétrica (Hb 9,8 → 8,6 → 7,9)
  • Sem instabilidade e sem novos sangramentos → internação em enfermaria de hepatologia
Motivo da internação: hemorragia digestiva alta, provavelmente relacionada à hipertensão portal, para investigação e manejo em paciente cirrótico.
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Avaliação antropométrica — aferição 12/06

ParâmetroAvaliaçãoReferênciaInterpretação
Peso atual68 kgPeso usual ~70 kg (não detalhado). Usado 68 kg para os cálculos
Estatura1,70 mautorreferidaEstimada por Chumlea = 1,64 m; usada a autorreferida
IMC23,52 kg/m²22–27 (idosos)Eutrofia
% Perda de peso2,85%Presença de perda; gravidade não classificável sem o tempo
PB — perímetro do braço26,3 cmp10: 26,2 (Frisancho, 1990)Próximo ao p10 — redução das reservas corporais
DCT — dobra tricipital3 mm< p5: 4,5Abaixo do p5 — redução grave da reserva adiposa
PMB — perímetro muscular braquial25,36 cmp25: 25,1Preservação da reserva muscular
AMBc — área muscular corrigida41,17 cm²p25: 40,2Preservação da massa muscular
PC — perímetro da cintura88,5 cm≤ 90 cm (IDF, 2005)Baixo risco cardiometabólico
PP — perímetro da panturrilha33,1 cm> 31 cmAusência de risco de sarcopenia/depleção
Frisancho, 1990 · IDF, 2005 · Chumlea et al., 1985
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Antropometria — interpretação

Pontos preservados

  • IMC em eutrofia (23,52 kg/m²)
  • Massa muscular relativamente preservada (PMB, AMBc e panturrilha)
  • Cintura abaixo do ponto de corte — baixo risco cardiometabólico

Sinais de alerta

  • DCT abaixo do p5 → depleção grave da reserva adiposa
  • PB próximo ao p10 → redução das reservas corporais
  • Perda de peso associada à internação e ao sangramento

Padrão compatível com paciente idoso, sedentário, hospitalizado e cirrótico — condição que aumenta o risco de desnutrição, catabolismo e perda progressiva de massa corporal. O IMC isolado pode mascarar a composição corporal.

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Exame físico nutricional

Nível de consciênciaLúcido e orientado — sem encefalopatia manifesta
CabelosSem queda; brilho preservado
FaceSem alterações aparentes
OlhosHidratação e conjuntivas preservadas
Bola gordurosa de BichatPreservada
Musculatura temporalPreservada
BocaHidratada; perda dentária
LínguaHidratada; sem lesões
Regiões supra/infraclavicularesDepleção — possível sarcopenia
BraçosSem edema
MãosMusculatura, unhas e coloração preservadas
AbdomePlano, timpânico e indolor — sem ascite evidente
A perda dentária pode comprometer a mastigação e reduzir a ingestão; a depleção clavicular sugere redução de massa muscular.
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Avaliação laboratorial — hemograma

ParâmetroValores do pacienteInterpretação
Hemoglobina8,6 → 7,4 g/dLAnemia importante, normocítica e normocrômica; compatível com perda sanguínea digestiva e deficiência de ferro
Hematócrito25,1% → 22,6%
Leucócitos2.620 → 2.090 /mm³Leucopenia — relacionada ao hiperesplenismo por hipertensão portal; maior risco de infecção
Plaquetas43.000–50.000 /mm³Trombocitopenia importante — achado precoce da hipertensão portal; marcador indireto de gravidade
Anemia na cirrose é multifatorial: sangramento por hipertensão portal, hiperesplenismo, inflamação crônica e redução da produção medular.
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Avaliação laboratorial — bioquímica & ferro

ParâmetroValoresInterpretação
Cálcio7,9 → 7,4 mg/dLHipocalcemia; interpretar com a albumina (usar cálcio corrigido/ionizado)
Magnésio1,7 → 1,6 mg/dLDiscretamente reduzido — ingestão inadequada, perdas GI ou diuréticos
FósforonormalSem distúrbio importante do metabolismo fosfocálcico
Ferro sérico37 µg/dLBaixa disponibilidade de ferro; compatível com deficiência funcional ou absoluta + histórico de sangramento
Saturação de transferrina11%
Ferritina68 ng/mLDentro da referência — interpretar com cautela (proteína de fase aguda)
OBS: não foram disponibilizados albumina, bilirrubinas, AST, ALT, GGT, FA, TP e INR — marcadores fundamentais para escores prognósticos (Child-Pugh, MELD).
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Interpretação clínica e nutricional

  • Quadro de cirrose complicada por hipertensão portal, com anemia secundária a sangramento digestivo, trombocitopenia e leucopenia por hiperesplenismo
  • Alterações do metabolismo do ferro e distúrbios minerais (hipocalcemia e hipomagnesemia)
  • Achados endoscópicos (varizes + gastropatia) reforçam a necessidade de terapia nutricional individualizada
  • Elevado risco de desnutrição e sarcopenia, frequentes na doença hepática crônica
Anemia e deficiência de ferro contribuem para fadiga e pior qualidade de vida; hipocalcemia e hipomagnesemia exigem acompanhamento pelo risco ósseo e muscular.
Diretrizes: ESPEN · AASLD · SBNPE (BRASPEN)
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Sintomas gastrointestinais

SintomaPresença
NáuseasNão apresentou
VômitosNão no momento (hematêmese na admissão)
ConstipaçãoNão apresentou
DiarreiaNão apresentou
DisfagiaNão apresentou
PiroseNão apresentou
FlatulênciaNão apresentou
MelenaPresente
Discussão

Melena e episódio prévio de hematêmese são compatíveis com sangramento digestivo alto por hipertensão portal — corroborados pela EDA (varizes + gastropatia) e pela anemia.

A ausência dos demais sintomas sugere que não contribuíram para redução da ingestão, mas devem ser monitorados continuamente.

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Consumo alimentar — Recordatório 24h

RefeiçãoAlimento / preparaçãoMedida
DesjejumMingau de maisena com açúcar (2 sachês)300 ml
Colação
AlmoçoSopa de carne + banana/pera amassada400 ml + 100 g
LancheMingau + café com leite (2 sachês)300 ml
JantarSopa de ervilha400 ml
CeiaIogurte170 ml
Observações
  • Baixa variedade alimentar
  • Reduzido consumo de frutas, hortaliças e água (~500 ml/dia)
  • Desconforto após consumo de leite
  • Dieta pastosa, com previsão de progressão para branda
ROSA et al., 2008
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Análise qualitativa da dieta — consumo atual

RefeiçãoPTNLIPCHOCalorias
Café da manhã7,2 g9,2 g48,6 g304 kcal
Almoço35,8 g10,6 g35,3 g370 kcal
Lanche12,8 g14,4 g60,3 g417 kcal
Jantar17,5 g13,2 g54,0 g387 kcal
Ceia4,0 g4,1 g30,2 g174 kcal
Total77,3 g51,6 g228,5 g1653 kcal
Proteínas 18,7% Carboidratos 53,2% Lipídios 28,1% Densidade calórica 0,81 kcal/g
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Questionário de Frequência Alimentar (QFA)

ProdutoFrequência
Frango2 ou + vezes/dia
Carne de porco2 ou + vezes/dia
Ovo cozido1 vez/dia
Tubérculos (batata-doce)1 vez/dia
Frutas1 vez/dia
Feijão1 vez/dia
Refrigerante5 a 6 vezes/semana
Geleia / doces / balas2 a 4 vezes/semana
Folha crua1 a 3 vezes/mês
MacarrãoNão gosta
Padrão observado
  • Maior consumo de frango e ovos entre as proteínas
  • Preferência por tubérculos, especialmente batata-doce
  • Baixo consumo de arroz e macarrão (substituídos por batata)
  • Feijão consumido diariamente por incentivo da filha, apesar da baixa aceitação
  • Baixo consumo de hortaliças, sobretudo folhas cruas
ROSA et al., 2008
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Consumo alimentar — síntese

Principais inadequações

  • Baixo consumo de hortaliças (folhas cruas 1–3×/mês)
  • Baixa ingestão hídrica (~500 ml/dia)
  • Refrigerante frequente (5–6×/sem) e doces frequentes
  • Baixa aceitação de arroz e macarrão
  • Desconforto após consumo de leite
  • Baixa variedade alimentar

Aspectos positivos

  • Consumo diário de frutas (1 porção/dia)
  • Consumo diário de feijão, mesmo com baixa aceitação
  • Preferência por legumes e hortaliças cozidas
  • Consumo frequente de fontes proteicas (frango e ovos)
  • Participação ativa da acompanhante nas escolhas
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Medicamentos em uso na internação

FármacoPosologiaIndicação / mecanismoImplicações nutricionais
Levotiroxina25 mcg — 1×/dia (manhã)Hormônio tireoidiano (T4 → T3)Risco de osteoporose, sarcopenia, perda de peso acelerada
Carvedilol12,5 mg — manhã e noiteBetabloqueador não seletivo; vasodilatadorAnemia, sobrecarga hídrica, náusea, vômito, diarreia, edema, aumento de peso
Rivaroxabana20 mg — 1×/dia (tarde)Anticoagulante oral direto (inibidor do Fator Xa)Anemia, sangramento gengival e GI, dor abdominal, náusea, constipação/diarreia
Omeprazol20 mg — 1×/dia (manhã)Inibidor de bomba de prótonsReduz absorção de ferro e vitamina B12; dor abdominal, flatulência, náusea
Ceftriaxona10/06 a 12/06Antibiótico beta-lactâmicoInibe síntese de vitamina K e B12 pela microbiota; pancreatite, estomatite, glossite
Recomendações: levotiroxina em jejum (1 h antes do café); omeprazol 30–60 min antes da refeição; atenção à vitamina K (verduras escuras) com o anticoagulante.
Fármacos utilizados pelo paciente W.S.F durante a internação · Rio de Janeiro, 2026
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Interação fármaco-nutriente

Omeprazol
Inibidor de bomba de prótons (H⁺/K⁺-ATPase); reduz a acidez gástrica
  • ↓ Absorção de ferro e vitamina B12
  • Aumentar alimentos-fonte (ovos, carnes, fígado)
  • Mais eficaz 30–60 min antes do café da manhã
Levotiroxina
Precursor do hormônio T3; regula o metabolismo energético
  • Fibras, café, soja e cálcio ↓ a absorção
  • Tomar em jejum (1 h antes / 2 h após alimentos)
Rivaroxabana
Anticoagulante — inibidor direto do Fator Xa
  • Comprimido de 20 mg deve ser tomado com alimentos
  • Cuidado com alimentos ricos em vitamina K (verduras escuras)
ZHAO et al., 2022 · MARTINS, Cristina (interação fármaco-nutriente)
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Conduta & Prescrição

Etapas a serem preenchidas

Conduta nutricional

A preencher
Diagnóstico nutricional e objetivos da terapia nutricional ainda não constam no documento.
Problema nutricional identificado Evidências encontradas Objetivos — curto prazo Objetivos — médio prazo Objetivos — longo prazo
33

Prescrição nutricional

A preencher
Cálculo das necessidades e definição da prescrição — dados ainda não disponíveis no documento.
Necessidades energéticas Necessidades proteicas Distribuição de macronutrientes Necessidades hídricas Micronutrientes prioritários
34

Comparação das prescrições

Consumo atual × prescrição hospitalar × prescrição proposta

A preencher
Tabela comparativa entre o consumo atual do paciente, a prescrição fornecida pelo hospital e a prescrição proposta pelo grupo.
Energia (kcal) Proteínas (g e g/kg) Carboidratos Lipídios Líquidos
35

Plano alimentar

A preencher
Distribuição das refeições do dia conforme a prescrição proposta — a ser desenvolvida.
DesjejumColaçãoAlmoço LancheJantarCeia
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Orientações nutricionais para alta

A preencher
Seção prevista na estrutura do trabalho, ainda sem conteúdo no documento.
Recomendações alimentares Mudanças no estilo de vida Educação nutricional Monitoramento
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Parecer nutricional

  • Paciente W.S.F, 71 anos, cirrose por HCV (Child-Pugh A), com comprometimento do estado nutricional associado à doença hepática crônica e ao recente episódio de hemorragia digestiva alta
  • Exame físico hipocorado (2+/4+), coerente com a anemia laboratorial e a perda sanguínea gastrointestinal
  • IMC em eutrofia (23,5 kg/m²) e massa muscular relativamente preservada, porém com importante redução das reservas adiposas (DCT < p5; PB próximo ao p10)
  • Recomenda-se dieta via oral branda, hipossódica e isenta de lactose, fracionada em 5–6 refeições/dia, para reduzir jejum prolongado
  • Aporte energético normo a hipercalórico, normo a hiperproteico (se sem contraindicação), com carboidratos complexos e lipídios de boa qualidade
  • Priorizar fontes de ferro, cálcio, magnésio, zinco e vitaminas antioxidantes (A, C, E) e do complexo B; monitorização periódica e reavaliação contínua
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Conclusão

  • A terapia nutricional adequada desempenha papel fundamental na recuperação e no bem-estar do paciente
  • A avaliação nutricional completa permitiu identificar as principais inadequações alimentares e direcionar a conduta
  • A associação entre R24h e QFA proporcionou compreensão mais ampla dos hábitos alimentares
  • A participação do paciente e da acompanhante contribuiu para uma coleta de dados mais completa e confiável
  • O caso reforça a importância de uma abordagem nutricional individualizada, considerando as necessidades clínicas e os hábitos de cada paciente
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Referências

  • ROSA, G. et al. Avaliação nutricional do paciente hospitalizado. 2008.
  • SAMPAIO, L. R. et al. Avaliação nutricional. Salvador: EDUFBA, 2012.
  • FRISANCHO, A. R. Anthropometric standards for the assessment of growth and nutritional status. 1990.
  • CHUMLEA, W. C. et al. Estimating stature from knee height. 1985.
  • MARTINS, C. Interações fármaco-nutriente. 3. ed.
  • ZHAO et al., 2022 · IDF, 2005 · OMS, 1998.
  • Diretrizes: ESPEN, AASLD/EASL e SBNPE (BRASPEN) para nutrição na doença hepática crônica.
Referências específicas de cada tópico devem ser inseridas nos respectivos slides.
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Nutrição Clínica 1 — Caso Clínico do paciente W.S.F

Bianca Ferreira · Cellyne Da Silva · Maria Eduarda Trotta · Nathallya De Paula · Vitor Hugo Queiroz
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